a ordem natural do íntimo
"A rua. A rua é uma boa coisa. Sobretudo vadiar por aí, sem destino. Isso acontecia-me muitas vezes. Nem sempre com prazer, pois era frequente o aguilhão da angústia a impelir-me para a vadiagem, pela qual procurava o que não sabia encontrar ou procurava nem sabia quê, enquanto o cérebro trepidava, em cada minuto mais acelerado - um êmbolo coagido por uma fornalha insaciável. (...) Sempre gostei de vagabundear por estes sítios. Tenho, quem sabe, uma costela de rufia. Ou então faz-me bem um pouco de sujidade cenográfica, que se pegue aos sentidos, para depois facilmente sacudir a roupa e ter a ilusão de me sentir, por dentro, um tanto mais limpo do que dantes."
Fernando Namora, Domingo à Tarde
abraco

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